quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quero. Não Quero.

“Quando eu morrer
Não quero choro, nem vela...”

Domingo (02/11) fomos (Eu, Isolda e Gisele) para o ‘Negro SambaSim’ no mercado da Ribeira em Olinda. Uma das músicas que cantaram foi essa... Era dia de finados o repertório estava cheio de músicas assim, fúnebres, pois, ofereceram as músicas aos mortos. Fizeram essa “homenagem” porque a maioria (ou todos) das bandas que se apresentaram no dia eram do Candomblé e no Espiritismo eles têm o costume de ‘homenagear’ os mortos, justamente por acreditarem que a morte é uma passagem( no catolicismo também de uma certeza forma, visto que, Cristo ressuscitou). Bem, eu respeito, mas sinceramente, é muito melhor homenagear quem está vivo, sempre digo que se tiverem que fazer algo por mim ou para mim que seja feito enquanto estou viva, quando morrer quero que meu espírito fique sossegado.
Sou de família Católica, fui batizada, fiz 1ª Eucaristia e já deveria ter feito a Crisma, mas por motivos ideológicos (e de rebeldia) me afastei da Igreja Católica (passei a ir só a casamentos, batizados, 1ª eucaristia...), fui algumas vezes à Igreja Presbiteriana e conversei com alguns mórmons que conheço, mas vi que em todas as religiões eu iria encontrar algum “defeito”, alguma coisa que não concordava... Até que no ano passado resolvi voltar a ir à missa (aos domingos), passei a rezar o Terço e algumas vezes ler a Bíblia, mas sempre, desde que era criança tinha alguma coisa que me chamava atenção para o Espiritismo... Então, quando estava na faculdade (em 2003, se não me engano) tinha uma colega que é espírita e fui com ela umas duas vezes ao centro Espírita, uma das vezes encontrei com uma amiga de mainha com o filho, mas ela (minha colega) parou de ir às reuniões e depois trancou a faculdade, então parei de ir, porque além de não ter com quem ir, pois a maioria das reuniões é a noite não conhecia nenhum Centro perto de casa, sem falar que fiquei sem ter direto com pessoas espíritas, até que conheci minha linda amiga Isolda, ela faz parte de um grupo que tem uma linda missão, mas ainda precisam se trabalhar mais... Oxe! O post de hoje não é sobre isso, este não foi o motivo pelo qual comecei a escrever o texto...
Voltemos ao tema inicial:
Quando tocaram a música (Fita Amarela) lá no ‘Negro SambaSim’ lembrei do que sempre falo quando vou a um velório ou enterro ou quando converso com alguém sobre morte ou algo do tipo.
Quando eu morrer não quero velório, nem quero ser enterrada, quero ser cremada e que minhas cinzas sejam jogadas no mar. Não sei por que, mas tenho pavor da idéia do meu corpo dentro de um caixão e as pessoas que amo sofrendo... Tenho horror da idéia de meus familiares vendo o caixão se fechar e de me colocarem dentro de um buraco e jogarem terra em cima, principalmente porque a dor de quem fica é terrível ao ver a cena...
Sei que a dor da morte é sempre a mesma. É a dor da saudade. Mas, sei lá, acho que velório e enterro o sofrimento é prolongado e sem falar no clima de tristeza constante... Tá vendo? É disso que não gosto! Tristeza... O corpo físico morre, mas o espírito é eterno, continua vivo... A morte por mais dor e tristeza que cause, por mais saudade que deixe não deveria ser tratada como uma coisa ruim... Deveria ter música, boa música...

“...
Não quero flores
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta
Com violão e cavaquinho
...”

Por isso, digo que quando morrer não quero velório, enterro, choro, sofrimento... Quero ser cremada e que minhas cinzas sejam jogadas ao mar; quero música, boa música para alegrar meu espírito como alegra meu corpo...
Doida?? Pode ser... Mas quem me conhece de perto, quem convive comigo sabe que não gosto da idéia de ser enterrada... Não sei se esse desejo é egoísta, mas acho que não. De toda forma, o sofrimento vai existir... Vixe, nem sei por que to falando disso, até porque acho que vai demorar para esse dia chegar, sinto que ainda tenho muita coisa para fazer... Sei que não será fácil para quem (filhos, netos, primos ou amigos) for fazer isso quando acontecer, mas é o que sempre penso quando lembro que um dia morrerei...
Desde quando penso assim? Não sei, não faço idéia, mas quando tento puxar pela memória lembro sempre do velório de tia Licinha (minha tia avó), lembro da agonia que senti ao vê-la no caixão, lembro de um sentimento estranho e de pensar que não queria aquilo, que não queria ver meus filhos, netos e pessoas que amo passando por aquilo que minha mãe, minhas tias, minha avó e os filhos e netos dela estavam passando, tristeza profunda ao olhar ela ali dentro... Isso foi no ano de 1999, se não estou enganada.
Podem me chamar de doida, mas é isso que não quero (velório, enterro, choro...) e que quero (música, mar...). Amo a vida, adoro viver, não gosto de tristeza e nem de choro, mesmo sendo uma manteiga derretida e chorando por quase tudo...

“Quando eu morrer
Não quero choro, nem vela
...
Não quero flores
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta
Com violão e cavaquinho
...”

Mas,
ESTOU VIVA
ESTAMOS VIVOS
Então:

“...É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...”


Essa sou eu:
Maluca, que tem idéias desconexas...
Que pensa em mil coisas ao mesmo tempo.
Que Ama a Vida!!!


Beijinhos, Beijinhos...

3 comentários:

DO disse...

Muito do que vc relatou sobre a sua espiritualidade é igual à minha,Cecilia. Mas o que quero dizer,é que vc me fez repensar sobre "ser cremado". Creio que eu tbem gostaria que assim fosse feito qdo chegar a minha hora.
Alias,é algo que minha mama sempre disse.
Vou pensar.

Beijos!

meus instantes e momentos disse...

Belo texto , muito bom. Gosto de vir aqui, ler teu modo de dizer o que pensa, e sente. Virou mania voltar ao teu blog.
Apareça
Maurizio

mayra araújo disse...

Cecília, eu penso assim, exatamente como você escreveu. Nossa cultura ocidental é muito cruel neste culto aos mortos. Eu não consigo mais chorar, ver a morte como algo ruim, se isso já é o "destino" de todos nós, não importando a forma que ocorra. Tenho pensado nessas coisas, e gostaria assim, de depois dos órgãos devidamente doados, que meu corpo fosse cremado.