quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Reciclagem de Vida


Não sei se a vida se recicla.
Não, talvez não.
Mesmo se após um tempo de reflexão decidimos
mudar nossa vida,
seremos sempre nós mesmos no fim.
Mudados, mas nós.
Com todas as marcas e cicatrizes para que não
nos esqueçamos do que fomos.
Sabemos que jamais poderemos recolar os pedaços
das coisas vividas e construir novas.
Colchas de retalhos são muito bonitas,
mas não passam de colchas de retalhos.
Remenda-se panos,
recola-se papel ou vidro,
mas não se remenda vidas,
não se recola momentos passados,
coisas que deixamos pra trás.
Recomeçar? Sim.
Recomeçar é possível, mesmo (e felizmente)
se já não somos os mesmos.
Aprendemos, à custa de dor, mas aprendemos.
Não cometeremos duas vezes os mesmos erros,
não beberemos a mesma água.
Durante anos vivemos como se não tivéssemos
outras alternativas.
A vida é assim... é o destino.
Mas nosso destino, nós fazemos.
Nossas prioridades, escolhemos
e aprendemos a viver com elas.
E só depois, mais tarde,
é que nos questionamos sobre o fundamento
das nossas escolhas.
Há pessoas que acham que é tarde demais para
mudar e continuam na mesma linha,
mesmo se conscientes de que talvez esse não
tenha sido o melhor caminho.
Homens e mulheres que se mataram
a vida toda para ganhar dinheiro,
terminam muitas vezes a vida sozinhos,
cheios de dinheiro, vazios de amor.
E felizes há aqueles que descobrem que
ainda é tempo para fazer alguma coisa.
E que podem redefinir as próprias prioridades
e assumi-las.
Vai doer, mas vai valer a pena,
porque no fim das contas
vamos ter a consciência tranqüila de que tentamos.
Um dos piores sentimentos que existem
é o de não poder recapturar um momento que
gostaríamos que tivesse sido diferente.
O eu de hoje não teria feito isso ou aquilo,
mas o que eu era ontem não sabia o que sei agora.
Se soubesse, teria cometido menos erros.
Mas temos um Deus tão bom e tão grande
que Ele está sempre nos oferecendo a oportunidade
de nos redimir e fazer novas escolhas.
E agora? Agora sabemos.
Não vamos pegar atalhos.
Eles podem ser atraentes, mas nos impedirão
talvez de aproveitar as belezas da jornada.
O caminho da vida é bonito, apesar de ser
mais difícil para uns que para outros.
Mas é bonito se sabemos tirar o máximo do que é bom.
Noites escuras podem nos fazer ver mais
claramente as estrelas.
Só veremos o nascer do sol se acordarmos cedo.
Coisas simples que a natureza nos ensina.
Reciclagem de vida?
Talvez sim.
Talvez sejamos, no fim das contas,
uma colcha de retalhos da vida.
Mas que sejamos então
uma bela colcha nova enfeitando um quarto,
um coração,
talvez mesmo muitos corações e muitas vidas,
a começar por nós mesmos
(Letícia Thompson)




Ao clicarem nas imagens serão direcionados aos sites de onde foram retiradas.

9 comentários:

DO disse...

Tempo que não lia um texto tão verdadeiro,Cecilia.

beijão!!

Mai disse...

Excelente post.
E, Cecília a inteireza é mesmo assim.
Inteiras, mudamos e seremos sempre a mesma, diferente e melhores hoje do que ontem.

Carinho.

Beti Timm disse...

Minha menina linda!

Bonito texto!
Vc cresceu tanto no seu blog desde te conheci, que me atrevo até a te dizer algo, e espero q não fiques brava, mas é a minha idade avançada, que me faz intrometida...rs: tens o dom da palavra, uma intimidade com as letras e uma inteligência peculiar! Gostaria de ver mais textos escritos po ti, pq tudo que escreves em qualquer cantinho, eu vou lá correndo ler. Como a tua parceria com o Eurico, excelente, culta, algo que eu não consigo elaborar. Por isso ponha mais palavras tuas aqui, serão sempre apreciadas.
Desculpa o palpite, mas muitos desses recebi da Loba e muito aprendi. Se ficares muito braba comigo vou entender, juro.
E desculpa mais uma vez, mas te quero muito bem e te admiro.

Beijos intrometidos

Zeca disse...

Cecilia, do meigo sorriso!

Muito bonito e edificante.

E faço minhas as palavras da Beti! Também gosto muito de ler aquilo que sai de dentro de você...

Beijos.

Eurico disse...

Tu tb concordo com a Betti. E como a minha idade tb me autoriza rsrs posso dizer à Betti que a Cecilia é bonita por dentro e por fora. O AO da Loba me trouxe a melhor parceria que eu poderia conseguir em 2009. Grato, Cecilinda, carinhoso apelido que o Zeca te deu, e que adotei pois rima com Olinda rs
Abraço fraterno.

Carlinhos do Amparo disse...

Eu endosso as palavras do compadre Eurico. E estou esperando a minha colaboradora no Sítio. Olinda está fervilhando de gente! Venha s'imbora, menina!!!

Sieger disse...

Ceci, deixei um selinho pra vc no meu bombom!
Lindo texto.
Besos

Canto da Boca disse...

E eu deixo um pouco da outra Cecília, a Meireles: "aprendi com a natureza a me deixar cortar e a voltar sempre inteira", além do meu beijo, claro!
;)

Luciana disse...

Muito lindo o poema.


Bjs e obrigada pela visita nesse Blog.