segunda-feira, 9 de março de 2009

Inclusão Social, Responsabilidade de Todos


Inclusão social é uma ação que combate a exclusão social geralmente ligada a pessoas de classe social, nível educacional, portadoras de deficiência física, idosas ou minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades. Inclusão Social é oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de renda do País, dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Quando recebi o convite para participar da blogagem coletiva sobre Inclusão Social, fiquei pensando sobre o que escrever, como escrever... Parei e pensei o que é de fato Inclusão Social e me perguntei se eu teria uma opinião formada sobre o tema, vi que sim, tenho uma opinião sobre o tema e principalmente, que não concordo com esses programas do Governo, acho que deveriam existir, mas não da forma como são feitos, em determinados casos se tornam excludentes.

Mas eu não queria falar sobre os programas governamentais, então, comecei a fazer pesquisas na internet, mas confesso que estava com preguiça de ler, então lembrei que não precisava ir tão longe, pois tenho exemplos de Inclusão Social desde criança, na escola e na família, então resolvi falar da minha vivência.

Vamos ao que interessa, então!

Sou dois anos mais velha que meu irmão, até ele nascer eu ficava indo para casa da minha Madrinha, pois nem ela nem meu pai queriam que mainha me colocasse numa creche, mas quando Mozart nasceu não teve jeito, mainha bateu o pé e nos colocou em um hotelzinho, ele tinha 6 messes. No ano seguinte, ele já andava, estava com 1ano e meio e com 3 anos, fomos estudar na escola que tem aqui ao lado de casa e na turminha ao lado da minha tinha um menino com Down, ele era um doce (como a maioria dos portadores dessa síndrome), porém tinha uns rompantes e ficava nervoso querendo bater nas outras crianças, não sei se alguém o provocava ou se era dele mesmo, só sei que tinha um medo danado dele... E cresci com ‘medo’ de crianças que tinha o estereotipo dele (na época as professoras e funcionários não tinha nenhum preparo para aquele tipo de situação, hoje as coisas estão um pouco melhores, porem ainda falta capacitação, pois ter uma criança portadora de necessidades especiais requer muito preparo, pois as crianças são imaturas para lidar com a situação, não basta rampas, elevadores e banheiros com barras, tem que haver toda uma didática e ainda falta um pouco de preparo por porte da equipe pedagógica das escolas), mas a vida sábia como é, me mostrou que não precisamos ter medo dessas crianças e adultos, que eles são especiais e que podemos aprender muito com eles e é nessa parte da história que entra Rita de Cássia (cunhada da minha tia), ela não tem Síndrome de Down, aliás, ela nasceu saudável, e aparentemente sem nenhum problema de saúde, até que aos seis anos teve que se submeter a uma cirurgia e por conta de um erro médico quando voltou da anestesia não falava e parecia uma criancinha de um aninho, então começou toda a batalha daquela família...

Hoje, Rita deve está com uns 36 anos aproximadamente, e eu que cresci vendo suas crises de convulsão, pois os seus tratamentos não resolviam seu problema, eram apenas paliativos; passava um tempo sem as crises mais elas voltavam sempre, até dormindo ela tinha, era um verdadeiro sofrimento. As primeiras crises que presenciei fiquei muito assustada, depois passei a ver com certa ‘naturalidade’ até acalmava meus primos quando viam uma crise (pois eles têm menos contato), até D, Creusa a levou a um médico homeopata e hoje Rita não tem mais as crises, aliás, acho que está sem ter as crises já há quase 10 anos.

Rita é uma pessoa linda, iluminada (aliás, toda sua família é assim), ela gosta muito de música, se pudesse passaria o dia com o som ligado ouvindo música, e vive fazendo cópias das letras das músicas que gosta (ela é copista, não sabe ler), gosta de ir ao cinema, gosta de conversar (é uma ótima companhia), gosta de passear, estuda, porém sua idade mental é a idade que ela se submeteu àquela cirurgia, ou seja, seis anos. À primeira vista ninguém percebe que Rita é especial, pois ela não tem nenhuma característica física que as pessoas que tem ‘deficiência’ mental (argh, não gosto desse termo) têm, porém, quando passamos um tempinho a mais com ela percebemos que não passa de uma criança em corpo de mulher, seus gostos musicais, seu jeito de falar e se portar...

Rita tem algumas características encantadoras: Ela é meiga e carinhosa, inteligente, e tem um senso de justiça incomum, vou relatar uma das histórias:

Ela gosta de fazer pulseiras e colares com miçangas para vender pra com o dinheiro ajudar a mãe nas despesas da casa que é viúva e recebe uma pensão do esposo que era comerciante, e minha tia que é cunhada dela sempre que em a Recife traz material para ela fazer suas pulseiras e às vezes compra algumas para presentear as amiguinhas dos meus primos e um umas das vezes minha tia trouxe o material e encomendou algumas pulseiras para dar de presente no natal e quando minha tia foi pagar as pulseiras ela não aceitou que minha tia pagasse:

- Não Mian (é assim que ela chama minha tia, que se chama Mirian), não precisa pagar tu me deu as coisas pra fazer.

- Mas Rita, tem o seu trabalho, não é certo não pagar.

E ela bateu o pé dizendo que minha tia já tinha gastado dinheiro comprando as miçangas e os outros materiais, mas minha tia explicou que além do material tem o trabalho e o tempo dedicado para fazer as pulseiras que ela estava pagando pelo trabalho e não só pelas pulseiras, então foi falar com Dona Creusa (sua mãe) e voltou dizendo que aceitaria o dinheiro, porém iria dar uma pulseira a ela e que esta era a condição para aceitar o pagamento.

Sabe, quando minha tia me contou essa história fiquei emocionada, fico pensando nas vezes que somos avarentos e egoístas, das vezes que não pensamos com justiça e vem uma pessoa como Rita e dá uma lição dessas...

Aliás, ela usa óculos de grau e a última vez que comprou os óculos foi com o dinheiro da venda das pulseiras.

Rita é uma graça, encantadora, onde ela vai enche o ambiente de paz e serenidade, transmite uma energia muito boa, sinto que é um anjo que Deus enviou para nos ensinar a amar mais e compreender melhor as pessoas e as diferenças...

Rita não é o único exemplo de Inclusão Social que convivo, mas é um dos exemplos que mais admiro e convivo, não só por ela, mas por seus pais que são pessoas simples que vieram de cidades interioranas e não tiveram muita instrução, porém sempre batalharam e deram o melhor para seus quatro filhos que são pessoas que respeito, admiro e amo muito.


Lembrei agora de Gustavo, é meu primo de segundo grau, filho de Eduardo, sobrinho de meu pai. A gestação dele foi um pouco complicada e quando nasceu tinha problema cardíaco entre outras coisas e tem problemas com desenvolvimento motor, e dicção. Meu primo a princípio se revoltou, sentiu injustiçado e castigado, mas sua mãe (minha madrinha), é católica e bastante devota além ser muito sensível e inteligente, conversou com ele e explicou que Guga é uma criança especial e que ao contrario do que ele estava falando e sentindo a família tinha sido abençoada por poder conviver com uma criança como ele, aos poucos Edu serenou. Guga deve está com uns 10 a 12 anos, é um menino lindo, inteligente, cativante, encantador. Uma das vezes que fui à casa de praia de minha madrinha Edu estava lá com sua família e eu conversei muito com Guga, ele ADORA futebol e gosta de narrar jogos, inclusive narrou uns dois jogos pra mim de times da União Européia e um do SPORT ele é rubro-negro e não perde um jogo, mas Marinha (a mãe dele) não deixa ele ir pro estádio porque se exalta muito e não é bom para ele, por conta de sua saúde, ele estuda e pratica montaria, uma vez foi fotografado para um jornal e a mãe dele falou que ele brigou com o pessoal do jornal porque o cavalo era branco e colocaram uma manta vermelha e ele não aceitava de jeito nenhum subir no cavalo porque aquelas eram as cores de um time rival do SPORT, o Náutico. Mara teve que explicar a ele que ninguém iria ver este detalhe porque a foto seria em branco e preto e que ninguém iria ‘mangar’ dele, então ainda a contragosto ele aceitou tirar a foto, mas saiu com cara de brabo...

Não tenho muito contato com Guga, nos vemos muito raramente, tipo, umas duas vezes no ano, mas sempre que o encontro renovo minhas energias, ele é lindo e encantador.


Tenho muito mais exemplos para dar, mas vai ficar cansativo, então vou colocar umas fotos que encontrei na net.

Bem, espero ter feito um posto nos moldes da proposta feita e que tenham gostado das minhas histórias, mas de uma coisa tenho certeza, a pessoa que sabe conviver com as diferenças e respeitar a todos é uma pessoa feliz e abençoada.

Grande Beijo a Todos!!!!
Tenham uma Ótima Semana!

PS:
Como já falei todas as imagens que ilustram o post peguei na internet, para saberem a fonte é só clicar na foto e serão direcionados ao site de origem, acredito inclusive que será interessante, pois todas as fotos tem alguma matéria ou projeto relacionado ao tema da postagem.

PS¹:
Coloquei uma foto com idosos, pois ando muito de ônibus e vejo como sofrem preconceito dos jovens, motoristas e até mesmo de pessoas do 40 anos ou mais; tem um asilo que fica na mesma avenida da escola de Matheus e quando vou à dentista passo por ele e vejo a dor e sofrimento dos velhinhos ali esquecidos pela família, sempre que vou em Casa Amarela passo por lá e nunca vi ninguém além dos velhinhos e enfermeiros e olha que passo nos mais variados horários e dias da semana, fico pensando que as pessoas deveriam ser menos materialistas e procurar cuidar mais de seus idosos que na mocidade tanto se dedicaram aos filhos e netos...

PS²:
Também coloquei uma foto contra homofobia, tenho muitos amigos homossexuais (homens e mulheres) e aprendi a respeitá-los, admirá-los e tenho um carinho muito grande por todos, lembro que em dois hotéis que trabalhei tinha homossexuais trabalhando e que eles tinham que se esforçar mais que os heterossexuais, pois os próprios clientes muitas vezes não queriam ser atendidos por eles ou demonstravam insatisfação por estar sendo atendido um um gay, eu sempre me senti incomodada com este tipo de comportamento, pois minha mãe desde cedo me ensinou a respeitar as diferenças e escolhas das pessoas e que elas tinha direito de ser feliz do jeito que queriam e se sentiam bem.
Desta forma, tenho amigos homossexuais, negros, mulatos, brancos... Convivo com pessoas das mais diferentes classes sociais e religiões, com pessoas de todas as idades, sejam mais novas ou mais velhas que eu e não vejo problema nisso, acho até legal e saudável, por isso, não pensei duas vezes antes de aceitar o convite para participar da blogagem.

22 comentários:

Mauri Stern Boffil disse...

Mas todos somos iguais aos olhos de Deus. Pena que nem todos sabem disso...

Cecília disse...

É verdade, Meu Amigo!!!

Bjssssss

Mateus Araujo disse...

Parabéns ! Nada como uma experiência de vida para mostrar que as diferenças não são importantes e sim a intensidade em que cada um vive!
Bjim ♥

Elaine disse...

Olá!
É pensando assim que eu defendo que todos têm o direito de nascer. Em muitos países do mundo pratica-se hoje a eugenia e defende-se o aborto em caso de deficiência congênita. Daí eu pergunto: essas pessoas que você cita em seu post tão bonito seria melhor que não tivessem nascido? Penso que a existência delas é uma dádiva para todos nós.Somos todos amados por Deus e temos todos os mesmos direitos.
Tenha uma boa semana.

Janaina Brum disse...

Parabéns, Cecília, fiquei emocionada com suas histórias! Mas fiquei curiosa: como a sociedade lida com a Rita e com o Guga? O governo faz algo por eles e por suas famílias?
Parabéns pela percepção e obrigada pela visita!
Bjs, Jana

DO disse...

Os melhores exemplos estão sempre dentro de casa,da familia,Cecilia.Estes valores ficam mesmo pra vida toda e são bem mais eficientes que qualquer tipo de programa de governo.
Tbem tenho um forte exemplo aqui em casa,com meu irmão especial.

Beijos e uma otima semana!

Zisco disse...

Gostei demais da tua postagem, é abrangente e verdadeira, me emocionou demais, bjs!

Jens disse...

Oi Cecília.
Tolerância entre diferentes. Hoje e sempre.
Parabéns pela postagem. Um beijo.

Eurico disse...

Tuas postagens nos enriquecem por que és autêntica, verdadeira. Parabéns, amiga!

Mai disse...

Completa, cecília, tua postagem.

Muito bom estarmos juntas nessa empreitada.

Carinho,

Mai

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Cecília, gostei de ler sua postagem nesta coletiva. Seus exemplos mostram a luta da Inclusao social.
Parabéns, Fatima

Compondo o olhar ... disse...

lindo seu texto, parabens pela bela participação nesta gde idea, a blogagem coletiva.


abraços

Avassaladora disse...

Cecília, que linda história!
A vida é assim, quantos não convivem com exclusão, não sentem na pele os problemas diáris...
Mas o impportante é ir a luta... E participar de postasgens como essa, que está gerando um grinto de alerta na blogosfera...
Não podemos mudar o mundo, mas podemos fazer a nossa parte!


Abraço carinhoso

Philip Rangel disse...

Muitas vezes pergunto como que simples atos de verdade como foi desempenhado pela Ester, nos faz entrar nesse mundo magico de verdade; esse mundo que ao mesmo tempo falamos de algo serio, encontramos novos amigos, novos conteudos. Isso se chama mudança, isso é incluir na sociedade, mostrando o que somos capaz. E hoje ao ler seu conteudo deparo com varias suspresas como essa, que faz eu parabenizar a vc.. pelo excelente trabalho...

Continuemos....abraços

"A gente nao faz amigos, reconhece- os"
Vinicius de MOrais

Jeanne disse...

Amiga, ficou excelente teu post, abordando estes casos de pessoas especiais.
A terra é um grande hospital de almas, todos estamos resgatando alguma coisa do passado, alguns mais, outros menos, por isto cabe a todos a ajuda mútua, a caridade, o amor.
Quem passa por uma prova destas, está em situação de resgate, portanto dali pra frente, só vai melhorar, já que o corpo fisico absorve as enfermidades, liberando o espirito que sai mais leve e saudável para a vida espiritual.
não temos que ter pena dos que sofrem deficiências de qualquer ordem, sempre é para o bem, para a cura, porque Deus sabe sempre o que é melhor para cada um de seus filhos amados.
Beijos

Elcio Tuiribepi disse...

Olá...seu post está completo, não é a toa que essas pessoas são chamadas de especiais, conheço uma pintora que arrasa, pinta com a boca...a blogagem coletiva está arrebentando mesmo...um abraço na alma

Jeanne disse...

Voltei pra ver como ficou o Jesus no teu espaço, ficou muito legal, não é mesmo?
É bom Tê-lo por perto, sempre pode chegar alguém precisando de uma força...
Beijos

€ster disse...

Nossa amiga!

Sua postagem me emocionou! Como é gratificante ver exemplos como esse!

Parabéns pelo excelente trabalho aqui demonstrado! Sua participação veio acrescentar e enriquecer essa blogagem coletiva! Fico muito agradecida!


bjs!

Dani disse...

Cecíli querida, que show de post!!! Parabéns! Foi emocionante e ao mesmo tempo repleto de verdades.
Beijinhos! E obrigada pela visita!

Ni ... disse...

Achei perfeita a tua postagem...!!
Disse tudo, Cecília...

Quero tbm agradecer tua visita e dizer que estou te repassando o selo... com certeza seu blog merece... ;)

Beijo

Zeca disse...

Doce menina do meigo sorriso!

Maravilhosa a tua postagem! Demonstra claramente a luz que ilumina o teu espírito.
Para O Pai não existem diferenças, apenas etapas de crescimento, onde o que precisamos resgatar em nossas experiências de vidas aparece ao olhar humano como diferenças, dificuldades, deficiências...

Beijos, com carinho.

lyani disse...

Seu post sobre a inclusão social está muito completo e ficou muito bom. PARABÉNS!
Obrigada pela visita ao meu blog :D
bjos