quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cansei! (um desabafo)

 






Tem gente que pensa que o céu é perto e o mundo pequeno...

Não gosto de falar de “problemas de família”, seja aqui no blogue, com namorado ou amigos, não importa; acho que esse tipo de coisa tem que se resolver em casa, mas é que tem vezes que não dá pra aguentar, principalmente se é algo que você sabe que não vai se resolver, algo que não tem jeito/conserto, que incomoda há tempos.
Desde o dia 3 de maio eu e meu irmão estamos sem nos falar, tivemos uma discussão feia e desde então “somos dois desconhecidos” (melhor assim, evita atritos); não nego, isso não me agrada muito, mas sinto muito mais pelos meus pais e até mesmo por ele do que por mim mesma – eu levo numa boa, vou vivendo minha vida, cuidando de mim, estudando; meus pais sofrem (e muito) com essa situação (e me preocupo por eles) e Mozart porque noto que a cada dia que passa ele dá mais valor ao que tem no mundo lá fora e se esquece que a família é o que se tem de mais importante na vida, é o mais precioso tesouro que alguém pode ter. Não estou falando do nosso relacionamento, mas do relacionamento dele com painho e mais e com os seus dois filhos. Meu irmão, infelizmente, não sabe o tesouro que tem em casa e não aprendeu a valorizar os pais e os filhos maravilhosos que Deus lhe deu.
Acredito que já falei que meu pai não foi o mais presente dos pais, nem na nossa infância nem adolescência e que também não sabe demonstrar seu amor e carinho por nós, mas isso não é “mérito” dele, muitos pais, mães e até filhos são assim, mas o fato é que mesmo com todos os defeitos que ele tem, ele é um bom pai; é um pai que não mede esforços para ver seus filhos bem e que nunca deixou nada faltar em casa. É bem verdade que ele não é uma pessoa de fácil convivência, parou no tempo, tem opiniões e pensamentos retrógrados, além de ser super machista, mas sempre só quis o nosso bem, o melhor pra gente.
Algumas pessoas que convivem conosco mais de perto e há algum tempo e que veem o jeito de meu pai com meu irmão dizem que sentem “pena” de mim porque acham que meu pai só faz as coisas pra meu irmão, que ele é o queridinho do papai, mas não é verdade; o que é verdade apenas é que em algumas coisas e para algumas coisas Mozart tem mais vantagem e apoio pelo fato de ser homem, mas apesar de tudo meu pai é um homem justo, correto e super-protetor.
Mainha por sua vez sempre foi muito presente e amiga tanto minha como do meu irmão, é uma mulher batalhadora que sempre se esforçou para passar os melhores valores ensinamentos aos seus filhos, nos colocou nas melhores escolas, sempre quis que praticássemos esportes, estudássemos idiomas... É calma e tranquila e provavelmente por causa disso, tadinha, sempre ficou na linha de fogo nas brigas da gente, seja eu com meu pai, eu com mozart ou painho com mozart, sempre escutando os berros, reclamações da gente. Ela não é só nossa mãe, é nossa amiga e companheira, sempre nos apoiou, passou a mão, sempre dando um jeito de consertar o que estava errado, sempre parceira, sempre acobertando e fazendo nossas vontades (na medida do possível e até do impossível, as vezes), uma mãe super-protetora, uma mulher muito justa, correta e que não tem dois pesos e duas medidas, muito admirada pelos sobrinhos, irmãos e cunhados, assim como admiram meu pai. É engraçado ver como a família de mainha o admira, antes (quando era adolescente) eu não entendia o porquê de tantos elogios por parte deles para com painho, se todos sabem os defeitos que ele tem (mesmo estando de fora), mas agora eu consigo ver além das paredes de casa, além da relação pai e filha e das mágoas pelas brigas e ausências, consigo ver com olhos de adulta que aprendeu (esta aprendendo) a enxergar o mundo com os olhos da alma, mas que não esquece que é filha, mas agora vê com olhos de uma filha mulher e não mais filha menina, que já sentiu um pouquinho do peso do mundo (mas só um pouco, porque eles, meu pai e minha mãe ainda suportam a maior carga por mim, por nós).
E é por isso que tenho tanta dificuldade em aceitar o comportamento do meu irmão para com eles. Sei que infelizmente os dois têm uma parcela de culpa nisso tudo, sempre o protegeram demais, sempre passaram a mão na cabeça quando deveriam ter sido mais rígidos e ter imposto mas limites, mas os pais as vezes erram tentando acertar...

Me chateia ver Mozart fazendo tudo pelos amigos e namoradas sem medir esforços para agrada-los, sendo sempre muito prestativo, sempre fazendo favores sem importar a hora do dia, enquanto que para levar minha mãe de carro onde quer que seja ela tem que colocar gasolina no carro e isso se tiver acordado porque não se acorda para levar mainha em lugar nenhum, antes de ela se aposentar tinha que pegar dois ônibus pra ir e voltar e agora ela vive de ônibus pra cima e pra baixo com Matheus pra ir à psicóloga e Mozart nem se mexe, mas está sempre pronto e dispostos para pegar a namorada seja onde for...
Me irrita saber que ele grita aos quatro ventos que ele é incompreendido e que eu sou a preferida de painho e mainha, que eles fazem tudo por mim e nada por ele, que só se preocupam comigo. Me irrita a eterna síndrome de cinderela (onde eu faço o papel da madrasta malvada e painho e mainha das irmãs más), os dramalhões dele sempre se “vestindo” de vítima.
Me entristece ver que ele critica tanto meu por suas ausências, pelo seu jeito de ser e constatar que ele não é um décimo do pai que painho foi e é, que não dá devida atenção aos filhos, principalmente a João Victor, o seu primogênito, que vive esquecido e relagado, nem para a comemoração do aniversário do menino meu irmão foi, disse que iria sair com a namorada, mas a questão não é apenas essa, é que Mozart age como se ele não existisse, não fala dele pra ninguém, nem pra namoradas, é como se ele só tivesse Matheus. Vivo me perguntando porque ele fez tanta questão de reconhecer o menino, de registrar, se quase nunca foi capaz de demonstrar amor por ele. Já com Matheus ele é uma versão piorada de meu pai, porque além de ser ausente (e muito) é intransigente, incapaz de fala direito com o menino, sempre fazendo pressão e o pior de tudo é que não tem bons exemplos para dar e vive exigindo o que não pode porque não dá o exemplo (segue a linha faça o que eu mando e não faça o que eu faço – a pior maneira de se educar). E tudo isso me preocupa muito, me preocupo pelos meninos porque sei que isso interfere emocionalmente afetando a vida social e pessoal deles e por ele porque sei que na velhice ele vai se arrepender de tudo e não vai ter como recuperar o tempo perdido...
Peço muito a Deus que o ilumine e faça com que ele perceba o mais rápido possível as besteiras que está fazendo, que mostre que ele está com as prioridades trocadas e os valores invertidos e que não tarde muito a perceber as maravilhas que está perdendo...

Desculpem-me pelo desabafo, mas precisava (principalmente depois de hoje).
 


OBS: Desenhos da Beti Timm, podem encontrar mais no Rosa Choque e no A arte, por prazer.
 





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6 comentários:

Marco disse...

Cecília, sei que cada família é única e os relacionamentos são sempre complexos. Mas o seu texto/desabafo me fez lembrar da "única" atitude da qual me arrependo até hoje: ficar 5 anos sem falar com o meu irmão, morando na mesma casa. Essa é a única coisa que eu gostaria de não ter feito. Beijos.

Canto da Boca disse...

Torço para que a "paz" se restabeleça, Ceci.

Parabéns pelo novo formato, ficou muito lindo!

Beijos!

Ester disse...

Oi amiga!

Solidariarizo-me com vc, pois entendo o que está sentindo e passando nesse momento, sensível como vc é não pode mesmo suportar uma situação dessas. Para nós que estamos de fora é fácil chegar e dar um conselho, mas quem está no fogo é que sabe, e até porque se conselho fosse bom não se dava, se vendia..

Mas falo como a uma amiga. Seu irmão não amadureceu emocionalmente, acredito até que o ajudaria ter uma ajuda psicoterapêutica, porque auto conhecimento é o mais importante e ajuda muito nos relacionamentos. Vc que amadureceu mais depressa precisa ter paciência para ver seu irmão sair dessa situação.
Lembro-me uma vez que fiquei sem falar com minha irmã por um mês, eu quis voltar as boas e era ela que não queria dar o braço a torcer, queria ficar curtindo a magoazinha que lhe causei. Minha mãe, sabiamente, orientou-me a surpreendê-la fazendo pequenas coisas que ela jamais esperaria que eu fizesse. E assim eu fiz. Comecei arrumando sua cama pela manhã, acrescentando itens nas compras da casa que ela gostava,e outras coisinhas, sem falar nada. Um dia ela veio em minha direção e abraçou-me, choramos juntas, ela pediu-me perdão e eu também a ela, e depois começamos a rir de nós mesmas, e quanto fomos bobas nos afastando, sendo que nos amamos tanto,
no meu caso funcionou...

Beijo grande! Fique com Deus!!

Mauri Boffil disse...

Ceci, muita força a vc e a sua fmailia pra que tudo fique ao normal.
Besos.

Eurico disse...

O conselho da Ester me parece bom...
Não sei se entre irmãs isso é mais fácil. Nós homens, e eu entre eles, somos realmente criados de forma machista. Pedir perdão é difícil, chorar, então, dificílimo...rsrs
Eu tenho duas irmãs e sei o que as fiz passar na infância e sei qto elas foram pacientes comigo.
Filho macho ainda é um problema...
O meu tb deu trabalho, mas está mudando.
Torço pra q vc, com essa tua lucidez, seja vitoriosa, em nome do amor e da paz.
Sei que conseguirás.
E qdo fores mãe de um menino, mostre a ele um mundo mais igual e fraterno entre os gêneros.

Abraço fraterno.

Carlos Medeiros disse...

Desabafar é necessário, senão faz muito mal a pessoa. Todas as maneiras de fazer isso ajudam, seja no blog, ou com amigo/a confiável, ou com namorado. Prender dentro de si, é que não vai fazer bem.