segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dudinha, um exemplo de vida!

Quando eu era criança e mainha trabalhava no hospital eu conheci uma mulher que era um pouco maior que eu, e não demorou muito para que eu e meu irmão ficássemos maiores que ela.
Ela é anã? (perguntávamos curiosos por causa do seu tamanho pequeno)
Não (respondia minha mãe e explicava que ela tinha uma doença hormonal)
Eu não fazia ideia do que poderia ser uma doença hormonal, mas tinha certeza de que ela realmente não era uma anã, eu vi uma certa vez e percebi as diferenças entre a anã e Dudinha.
Sempre que puxo pela memória lembro de ela ter estado presente em vários períodos de nossas vidas, lembro o jeito que as pessoas falam com ela, o carinho com que a tratam e principalmente as sacolinhas de Cosme e Damião (recheadas de bombons e pipoca) e dos Nêgo bom (um doce popular nordestino feito de banana com açúcar e suco de limão) que ela sempre tinha na bolsa e nos dava (por causa disso terminei gostando daquele treco de banana, sempre que ela me dava tinha vergonha de dizer que não gostava e comia...).
Mainha conta que certa vez eu e meu irmão nos medimos nela e ficamos satisfeitos por estarmos maiores que ela, e minha mãe, claro, morta de vergonha... rsrs...
Cena que se repetiu anos depois com Matheus quando ela veio aqui em casa trazer um produto que mainha comprou a ela, dessa vez que morreu de vergonha fui eu e mainha e ela ficaram rindo. Mainha por fim disse que ela estava acostumada e que todas as crianças fazem isso, inclusive eu e meu irmão...
Tenho uma admiração enorme por esta baixinha, nesses anos todos que a conheço não lembro de tê-la visto reclamar da vida. Ela é uma batalhadora e com certeza uma vencedora...
Hoje ela ligou aqui pra casa (sempre liga ou vem nos ver) e disse que tinha feito uma matéria com ela em um jornal local, conversamos um pouco e depois que desliguei o telefone fui fuçar a net tentando encontrar a matéria que coloco aqui na íntegra:
OBS: Na matéria chamam ela de Lurdinha, mas só a chamo de Dudinha, assim como todos que conheço...




A história da pequena Lurdinha
Marcionila Teixeira
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br
Edição de domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ela tem 72 anos e, com o tamanho de uma criança de 7, virou patrimônio do Hospital
Agamenon Magalhães


Um dia, quando Lurdinha ainda era uma adolescente, falaram que ela não precisava
estudar. O conhecimento, explicaram, não serviria para alguém que estava condenada a
permanecer com 
pouco mais de um metro de altura para o resto da vida. Lurdinha
acreditou no 
raciocínio às avessas de um parente e resolveu deixar os estudos de lado.
Tempos depois, Maria 
de Lourdes Vieira Costa, 72 anos, aprendeu que o mundo pode dar
voltas e que nem sempre 
os veredictos ditados por outros definem o formato dos nossos destinos.


Lurdinha nunca mais voltou a estudar. Não carrega a bagagem intelectual que um dia desejou.
Também não cresceu, é verdade. Mas o crachá verde pendurado no peito é de bom tamanho
para que todos compreendam que ela também conquistou importância com o passar dos anos.
Naquele universo repleto de jalecos brancos, pacientes, nascimentos e dor, Lurdinha, ´aquela
pequenininha` que cruza os corredores do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) todos os dias,
ganhou o título de patrimônio.
Ela não sabe ao certo quando foi o dia da homenagem, promovida pela direção do hospital,
mas o crachá confere a Lurdinha uma aura de respeito.
Ela circula tranquila nos andares como se fosse uma servidora pública. Acena para todo mundo,
chama de ´meu amor` e se vai, andando com um passo curto, assim como sua estatura, com
o auxílio de uma bengala.

Lurdinha, que é aposentada, não gosta de fazer contas. Ou quem sabe não consegue mesmo
lembrar bem do passado. O certo é que ela afirma não ter ideia de há quanto tempo frequenta
os corredores do hospital. ´Estou aqui há mais de vinte anos e ela já existia por aqui`, conta a
ascensorista Iranete Santos Ferreira, 57. Se ela tem hora para chegar ou hora para sair? ´Tem
vezes que ela chega antes de mim, que começo às 7h`, revela a vigilante Andreza Silva. Em
meio à conversa, a aposentada fala que descobriu o nome da doença dela aos 15 anos e, desde
então, não parou mais de buscar ajuda pelos hospitais, principalmente no HAM.

A baixa estatura,ela mede apenas 1m20 - altura média de uma criança de sete anos - é
característica da doença de nome quase impronunciável: hipopituitarismo congênito.
Quem explica melhor é a mensagem que ela carrega sempre na bolsinha à tiracolo, preparada
pelo médico endocrinologista Ney Cavalcanti. ´A paciente possui hipopituitarismo congênito,
com deficiência dos hormônios LH, SSH, pró-lactina, TSH e ACTH. A paciente necessita tomar
diariamente: levotiroxina, corticóide, sinvastatina, cálcio e vitamina D. O corticóide é
indispensável. Na ausência do mesmo, levará a quadro grave de insuficiência adrenal aguda. Na
vigência de vômito ou diarreia, a prescrição do corticóide poderá ser injetável`, conclui a
mensagem.

Com uma voz quase infantil, Lurdinha vai contando porque gosta tanto de passar os dias no
hospital, observando tudo o que se passa. ´Gosto muito de vir aqui para ver os pacientes e
meus amigos médicos`, afirmou a torcedora do Náutico.






8 comentários:

DO disse...

Legal,qdo reconhecem e fazem uma bela homenagem a quem realmente merece.
Uma pequena grande mulher que dá um exemplo de vida.
Bjo

Chica disse...

Recordações dos tempos de crianças que aprintam todas e fazem as mães morrer de vergonha.Mas Dudinha entendia...

Lindo exemplo e que bom terem feito essa reportagem ...beijos,tudo de bom,chica

Jens disse...

Bonito exemplo, Cecília. Dudinha é uma pequena grande mulher.

Beijo.

Eurico disse...

Valeu pela lição de vida e de perseverança. Dudinha é grande em seu grande amor ao próximo.

Abç fra/terno
e grato por essa linda postagem.

Emerson Fialho disse...

Lembrança carinhosa você teve, querida amiga. Ela é pequenina, contudo garanto que seu coração é bem maior que seu tamanho...
Parabéns pela iniciativa da postagem, muito legal!

Ah, obrigado pelo carinhoso comentário em meu blog. Fico lisongeado vindo de uma grande amiga e poetisa.

Que Deus continue iluminando sua vida.

Abraço fraterno do amigo Emerson Fialho.

Márcia Moura e Maiara Miranda estudantes de Design de Moda disse...

Que homenagem mais gostosa! Sempre bom homenagear pessoas que merecedoras!

um beijinho nosso!

Vanuza Pantaleão disse...

Um depoimento terno e importante para os que sofrem de alguma enfermidade.
Beijos no coração!

Canto da Boca disse...

Lindo seu texto, Cecí, e que exemplo, Dudinha, são pessoas como ela que mantém a nossa fé no mundo!

Beijocas, queridona!