sábado, 13 de julho de 2013

Encontro Marcado

 
            Era uma noite fria e chuvosa e Clarice perguntava por que saíra de casa com um tempo daquele, não poderia ter tomado o vinho em casa mesmo? Mas lá estava ela, sentada à mesa do canto do restaurante, seu lugar preferido; dali podia ver o belo jardim do restaurante, toda extensão da rua e a janela do seu apartamento iluminado pela tênue luz do abajur que deixara aceso ao sair. Estava imersa em seus pensamentos quando uma suave voz masculina a tirou de seus devaneios, era Carlos, um belo e elegante homem que perguntava se poderia sentar-se na cadeira em sua frente. Um pouco contrariada Clarice fez um gesto afirmativo com a cabeça para que ele sentasse e em seu íntimo torcia para que aquele intruso não resolvesse puxar conversa.
Clarice estava inquieta, não conseguia se concentrar, sorveu um pouco de vinho e pegou a caneta que havia deixado ao lado do caderno. Aquele gesto não passou desapercebido por Carlos, que já tinha visto os abjetos sobre a mesa e que não conteve a curiosidade e perguntou se ela era escritora.
- Sim. Estou tentando escrever meu quarto romance... Sorriu meio desolada ao responder.
Carlos mergulhou em sua voz doce e terna, tão suave quanto o contorno de seus lábios bem desenhados.
- Sempre ouvi falar que escritores, pintores, artistas de uma forma geral têm hábitos diferentes, até esquisitos, mas nunca imaginei que uma escritora escolheria um restaurante como recanto para seus escritos. É nas pessoas que frequentam este lugar que você encontra inspiração?
- Não, na verdade escrevo em meu escritório, mas estava muito inquieta e sem concentração e resolvi sair um pouco para espairecer, mas parece que não está funcionando muito... Meneou a cabeça um pouco desanimada.
- Espero não estar atrapalhando. Se você preferir posso tentar encontrar um lugar perto do bar.
Sim, ela preferia ficar sozinha, mas aquela presença daquele homem elegante, dono de uma discreta sensualidade estava sendo por demais agradável, até mais do que ela gostaria.
- Não se preocupe, você não atrapalha. Na verdade já estou indo embora.
- Termine pelo menos o vinho. Só assim não me sentirei tão culpado por ter “invadido” sua mesa.
Ela meneou a cabeça em um gesto afirmativo e deu um sorriso tímido de lado, o que fez Carlos derreter por dentro. A noite transcorreu agradável e as horas passaram céleres, quando Clarice olhou o relógio e percebeu quão adiantadas estavam as horas apressou-se em pedir a conta, fato que desanimou Carlos. Ao se despedirem ele ofereceu-se para levá-la em casa, mas Clarice agradeceu a gentileza dizendo que seu carro estava no outro lado da rua, o que não era verdade, pois Clarice gostava de caminhar de sua casa até o restaurante, era um bairro residencial tranqüilo e naquela rua tinha muitas casas com jardins floridos e mais parecia uma vila do que uma rua de uma cidade grande, e aquilo a encantava.
Durante todo o caminho de volta o sorriso de Clarice não saía do pensamento de Carlos, seus gestos espontâneos, seu corpo esguio e bem torneado dentro do vestido estampado, seu jeito tímido... ele estava verdadeiramente encantado. De repente, lembrou-se que não sabia nada a respeito daquela mulher que em tão pouco tempo conseguiu ocupar por completo seus pensamentos, mas não haveria de ser tão difícil descobrir algo sobre ela, parecia muito familiarizada com o local, devia ser frequentadora do lugar, mas como ele nunca a havia notado? Sentiu um certo desânimo, mas decidiu não desistir, voltaria ao restaurante na noite seguinte e todas as outras que fossem necessárias, mas daria um jeito de reencontrá-la.
Após dez longos dias de espera Carlos teve a esperança reascendida, Clarice entrava no restaurante sorridente e encantadora, mais linda do que se lembrava; dirigiu-se ao primeiro andar do restaurante, sentou-se na mesma mesa no canto do restaurante e logo foi servida do mesmo vinho da noite anterior, Carlos parecia hipnotizado ao olhá-la e depois de um breve instante resolveu se aproximar, ainda que um pouco inseguro sobre o que falaria para ela. Ora, pareço um adolescente na sua primeira paixão, o que está acontecendo comigo, perguntava-se.
- Boa noite! Posso lhe fazer companhia ou está esperando por alguém?
Aquela voz, sim era ele. Clarice sentiu-se corar e seu o coração bateu descompassado, mas mesmo assim forçou-se a olhar para Carlos e esboçou um sorriso tentando demonstrar uma tranquilidade que estava longe de sentir, com a voz calma disse que ele poderia sentar, pois não esperava ninguém.
Foi uma noite tranquila e agradável com conversas amenas, as horas correram e nem se deram conta de quanto tempo ficaram ali conversando sobre suas vidas, profissões, gostos... desta vez Carlos lembrou-se de pegar o número de telefone de Clarice. Depois daquela noite muitas outras aconteceram...

Por Cecília Campello
11/07/2013

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quinta-feira, 28 de março de 2013

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             Roberta sentiu seu coração bater forte e pensou que aquilo só poderia ser uma brincadeira do destino, o tempo pareceu parar por instantes quando do hall de entrada do hotel o seu olhar cruzou com o de Cristiano, seu primeiro e grande amor... Desta vez estavam em uma linda e paradisíaca praia do litoral do nordeste brasileiro e cada acompanhado por seu cônjuge. À medida que ia se aproximando do balcão da recepção para fazer o check in e chegava mais perto de Cristiano o seu coração acelerava mais, sentia como se tivesse borboletas em sua barriga e tonta se perguntava como ele ainda poderia causar aquela sensação nela, como poderia ter tanta influência sobre seus desejos e sentimentos, mesmo depois de tantos anos de separação e ela ainda estava em uma ótima fase em seu casamento, estava apaixonada como nunca esteve antes pelo seu marido, sentia que verdadeiramente amava e era amada; sim, isso só poderia ser uma ilusão uma confusão por causa do cansaço da viagem... Mas o que Roberta não poderia imaginar é que toda aquela confusão de sentimentos também era sentida por Cristiano, que disfarçadamente tentava preencher a ficha de registro do hotel como se nada estivesse acontecendo, como se na estivesse sentindo nada, simulando seus sentimentos e desejos para que ninguém pudesse perceber o que se passava ali. Ele estava nervoso, percebia que sua mão suava, estava se sentindo um adolescente... Como ela estava radiante, muito mais linda do que da última vez que se encontraram, ah, como o tempo a fez bem...
            Cumprimentaram-se educadamente como se fossem dois estranhos (dissimulando seus sentimentos), ao terminarem o check in cada um subiu para o seu quarto agradecendo o adiantar da hora e o cansaço da viagem que não os permitiria ficar pensando no encontro e não se veriam mais, pelo menos não naquela noite... Os demais dias que estivessem no hotel? Bem, estes dias teriam que cuidar para não transparecer desconforto que sentiam por estarem ali tão perto um do outro e principalmente pelas sensações que esta proximidade causava, pelo turbilhão de sentimentos que se misturavam e faziam a maior confusão em suas cabeças e corações. A noite passou lenta e demoradamente, a ansiedade de como seria o dia seguinte os consumia, se encontrariam no café da manhã? Fariam algum passeio juntos? Se encontrariam em algum restaurante da cidade no almoço ou no jantar? Como seriam estes encontros caso acontecessem? Conseguiriam conter os sentimentos? E essas horas que não passavam e o dia insistia em não raiar fazia com que ficassem impacientes e ainda mais cansados...
            O dia finalmente amanheceu e Roberta sem nenhuma pressa separou uma roupa, tomou um banho demorado enquanto tentava não pensar que Cristiano estava dormindo em algum quarto daquele hotel. Quando terminou de se arrumar descera para o restaurante para tomar café da manhã. Enquanto isso Cristiano olhava o mar da varanda do quarto sem imaginar que a alguns passos, no outro lado do corredor ficava o quarto de Roberta...
            Após tomar café da manhã Roberta e seu marido foram para um passeio de barco e aproveitaram para mergulhar entre os peixes e recifes, o dia passou tranqüilo e agradável e praticamente não tiveram tempo de pensar no encontro da noite anterior. A noite, porém, guardava algumas surpresas. Um famoso bar e restaurante da cidade promovia em noites de lua cheia um grande e belo lual à beira mar e foi lá na hora do jantar que se encontraram e mais uma vez dissimularam os sentimentos e agiram como se não fossem conhecidos...
            A festa chata e sem graça, então Roberta resolveu caminhar pela beira mar, molhar os pés na água, estava tão absorvida em seus pensamentos que não se deu conta do quanto já tinha se afastado do local da festa, apenas quando chegou perto de umas pedras que vinham desde mar até a areia é que percebeu o quanto tinha andado e como estava afastada, percebeu também que apesar de ser um lugar deserto não estava só, sentado a uma pedra ela reconheceu, com certa dificuldade, a silhueta de Cristiano que já vinha em sua direção. Ao aproximaram-se as palavras foram dispensadas, abraçaram-se e ali mesmo fizeram amor, de um jeito tão intenso com um desejo que até então desconheciam...
            Os dias passaram como se aquela noite nunca tivesse acontecido, Roberta fez uma viagem feliz com seu marido e Cristiano passou os melhores dias de sua vida ao lado de sua esposa. Ao voltar para casa Roberta teve certeza que aquela linda história de amor tinha sido encerrada e foi definitivamente no passado e agora ela sabia que poderia seguir feliz com seu amado e querido marido. 




Cecília Campello
27/03/2013


Imagens retiradas da internet (google)